quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Trópica lança edição especial para ajudar na integração dos refugiados no Brasil



Edição limitada se chamará Mali – um dos países de origem dos refugiados que encontram no Brasil um novo lar

Pensar globalmente, agindo num âmbito local. Foi assim que a cervejaria carioca Trópica decidiu lançar uma edição limitada de chope com a intenção de colaborar com o Instituto de Reintegração do Refugiado (Adus). Durante o Downtown Oktoberfest, que vai acontecer no Rio de Janeiro, entre os dias 29 de outubro e 1º de novembro, a cada chope vendido, será doado R$1,00 para a entidade sem fins lucrativos. Bernardo Guttmann, sócio da marca, conta que o objetivo dessa atitude é provocar uma reflexão e ajudar na sensibilização da sociedade brasileira quanto à situação dos refugiados no Brasil. Será criado também um hot site para estimular contribuições financeiras e captação de voluntários.

“Nos sensibilizamos com a crise migratória envolvendo refugiados mundo afora e resolvemos olhar para a questão aqui no Brasil. Reconhecemos a importância em acolher de forma humanitária o refugiado, buscando sua reintegração, valorização e inserção social, econômica e cultural”, ressalta Guttmann. A cerveja recebeu a numeração “00” por se tratar de uma edição sazonal e também faz alusão à alta prioridade e importância do tema. “Nossa intenção de proporcionar descobertas e despertar emoções vai além do objetivo inicial de produzir cervejas especiais”, salienta um dos sócios.

Batizando a nova fórmula de Mali – um dos países que sofrem com a ação de grupos islâmicos radicais –, a Trópica manteve o costume de nomear seus rótulos com lugares que estejam entre os trópicos e tragam uma nova descoberta. Ao sul do deserto do Saara, Mali é o berço da rica e inspiradora música africana, e a Trópica acredita que a região mereça ser conhecida pela sua música e pela cultura de seus povos tradicionais. “Conseguimos unir um pouco dessa história com um singelo pedido de ajuda em um novo produto que tem tudo para conquistar o público, inicialmente, no festival”, afirma Guttmann, ressaltando que a marca vai além do produto em si, pois ela promove a valorização de algo realmente importante. O Brasil recebe refugiados de vários países da África, além de países do Oriente Médio, como a Síria. Assim, ao optar por Mali, a Trópica encontrou uma forma de difundir a causa dos refugiados para a sociedade.

“Para brindar essa iniciativa, nos inspiramos no estilo da cerveja alemã Kölsch, típica da cidade Colônia”, explica o cervejeiro Leandro Ajuz. Como a Kölsch é uma cerveja de alta fermentação e possui características de uma Lager, como uma Pilsen, suas principais peculiaridades são um corpo leve e alta refrescância. “Na receita da Trópica Mali, são utilizados quatro tipos de malte, entre eles, uma pequena porcentagem de malte de trigo, que confere à cerveja uma espessa espuma e um equilíbrio no sabor. O uso de uma trinca de lúpulo alemães proporcionam um frescor e amargor equilibrados”, acrescenta o cervejeiro.

Ainda que a situação no Brasil não seja tão grave quanto na Europa, a disposição em ajudar também se faz presente aqui. O país tem hoje cerca de 8,5 mil refugiados de 81 nacionalidades e os pedidos de refúgio têm crescido bastante nos últimos anos. Por acreditar na capacidade de mobilização e colaboração da comunidade cervejeira, a Trópica enxergou uma oportunidade para ser uma percursora de um processo de sensibilização quanto ao tema e talvez até mesmo um elo de integração entre povos. Além de querer manter um relacionamento com o Adus, a Trópica demonstra o desejo de apoiar outras causas.

“Para a gente foi uma surpresa enorme e foi algo muito bacana porque já é difícil conseguir parceiros em São Paulo, ainda mais em outros estados”, afirma Marcelo Haydu, diretor executivo do Adus. A iniciativa da parceria partiu da Trópica e o valor doado será destinado para a organização da estrutura de um quiosque em Pinheiros, na cidade de São Paulo. Administrado pela Adus, o empreendimento contará com a participação dos refugiados para cozinhar e vender práticos típicos de seus países de origem. A cada 30 dias, uma família ficará à frente da nova instalação, servindo como uma forma de geração de renda e aprimoramento de suas habilidades e relacionamento com os brasileiros. Dessa forma, a intenção é que elas consigam criar condições de manter a venda dos pratos a longo prazo.

De acordo com Haydu, essa parceria entre a Trópica e o Adus abre uma perspectiva e novas possibilidades de a instituição conseguir mais parceiros. “Mais pessoas poderão conhecer nosso trabalho, não só para apoiar esse projeto em específico, mas também outros”, ressalta. Haydu conta que há três projetos em andamento: a escola de culinária, em que os professores serão os próprios refugiados; a criação da sala de informática, visando capacitá-los por meio de cursos; e também de uma sala para atendimento psicológico na sede da entidade.

Para mais informações sobre o quiosque e para fazer doações, o Adus criou uma campanha de crowdfunding que pode ser acessada em: http://www.kickante.com.br/campanhas/adus.

Nenhum comentário:

Postar um comentário