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    Dia 18 a peça “JACQUES E A REVOLUÇÃO ou Como o Criado Aprendeu as Lições de Diderot”



    Escrita num momento diverso, porém igualmente perturbador, ao final dos anos 1980, no início do processo de democratização do país, à época da queda do muro de Berlim, Jacques e a Revolução ou Como o Criado Aprendeu as Lições de Diderot, de Ronaldo Lima Lins, dialoga intensamente com os tempos que correm, como se estivéssemos diante de uma espécie de expressão premonitória das sucessivas crises hegemônicas e representativas dos poderes. Para examinar um conjunto de ideias delineadas pelo iluminista francês, a peça reinaugura questões antigas na dinâmica dos últimos séculos de modernidade. Não há lugar geográfico específico. O mundo está em foco. Tudo se passa através do diálogo entre dois personagens: O patrão, um empresário e seu empregado, Jacques.

    No elenco, dirigido pelo dramaturgo Theotonio de Paiva, estão Abílio Ramos, Flávia Fafiães, Katia Iunes, Luiz Washington e Juliana Caetano. A trilha sonora leva a assinatura do maestro Caio Cezar. A direção acentua esse jogo de espelhos, numa encenação que exercite o poder da síntese. Propõe-se a trabalhar com cinco naipes de personagens: três homens e duas mulheres. “Essa composição permite revelar mais claramente o jogo presente no próprio texto, favorecendo uma grande construção dramático-narrativa entre atores e público”, afirma o diretor Theotonio de Paiva.

    A peça ganha trilha sonora de Caio Cezar e Ricardo Imperatore e direção musical Caio Cezar. Carmen Luz assina a direção de movimento e preparação corporal. Com iluminação de Renato Machado. O espetáculo faz sua estreia com honras: ganhou o Prêmio Maurício Távora – 1989 / Secretaria de Cultura do Estado do Paraná.

    A conversa no texto é amigável e informal, que às vezes resvala para conflituosa – coloca-os em confrontos bem humorados. O “tema da viagem”, conforme aparece em Diderot, aqui se concentra num único eixo, no coração de um império econômico, metáfora do próprio sistema.

    Uma reflexão que, sem tirar o sabor do riso, atribui ao mesmo um caráter sério, como se nos movêssemos sobre armadilhas, a história passeia com seus enganos e contradições. O texto transcende o entretenimento blockbuster, sem tornar-se enfadonho.

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