segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Empresária aposta em acessibilidade para todos em Cabo Frio



Historicamente, pessoas com diferentes níveis de limitação física, sensorial e cognitiva foram sempre segregadas na estrutura social. Eram consideradas “inválidas” ou “incapazes”, merecedoras apenas da caridade. Paulatinamente este “status social” vem sendo alterado com a percepção de que este grupo deve ser inserido nos ambientes sociais comuns a todas as pessoas - com os suportes e adaptações necessárias - e tem plena capacidade de trabalho.

Como este processo não ocorre de forma linear e homogênea, ainda persistem exemplos de tratamentos inadequados e até mesmo discriminatórios. Resumindo, as leis de acessibilidade têm o mesmo objetivo: eliminar as barreiras que impedem portadores de deficiência de terem as mesmas oportunidades do restante da sociedade. A legislação brasileira é uma das melhores das Américas, mas uma das menos cumpridas.

Monica Bull, empresária do Cereall Gourmet (restaurante vegano e vegetariano), sempre se preocupou com o tema da acessibilidade. Quando construiu o seu restaurante na Rua José Bonifácio, 28, no Centro de Cabo Frio, incluiu a acessibilidade como uma de suas prioridades. O espaço é totalmente adaptado, desde a rampa na entrada, ao espaço amplo e banheiro em dimensões apropriadas. É o cuidado em relação ao direito de ir e vir das pessoas que têm um déficit de mobilidade.

O projeto foi assinado pelo arquiteto carioca Antônio Cláudio Oliveira de Souza Leite, membro da Comissão Permanente de Acessibilidade da Prefeitura do Rio. “Pesquiso tradições antigas e geometrias sagradas, fatores que ajudam a projetar um ambiente positivo. As relações entre alturas, plantas, proporcionam o bem-estar assim como a escolha do esquema cromático, correto e a iluminação. Esse projeto - do Cereall Gourmet - foi um grande prazer ter desenvolvido. Sempre dou atenção à acessibilidade em meus projetos”, ressalva Antônio Cláudio.

Nilzete Oliveira, do projeto social “Nós Podemos Cabo Frio”, que tem a responsabilidade de trazer à tona a autoestima da pessoa com deficiência na Região dos Lagos, fala sobre esta questão. Moradora de Cabo Frio e cadeirante, com atuação dinâmica na defesa dos direitos de todas essas pessoas, Nilzete aponta as dificuldades que elas enfrentam diariamente:

- Como cadeirante, encontro muita dificuldade para andar na cidade. Apesar de já existirem alguns pontos acessíveis, a maioria das lojas, restaurantes, pizzarias e até mesmo alguns hotéis e pousadas estão fora das leis de acessibilidade. Isso dificulta muito a mobilidade de quem usa uma cadeira, como eu, ou uma cadeira motorizada. Até a pessoa protetizada em uma das pernas, ou nas duas, tem dificuldade de entrar no estabelecimento que não tem uma rampa acessível. É muito importante que a cidade - através de seus governantes, empresários e comerciantes – tome consciência e, de comum acordo, acessibilize as suas instalações. Não é tão difícil fazer uma rampa para dentro da loja, ou uma rampa de madeira que é colocada toda manhã. O que vemos é o descaso com esta população, que tem 19.000 pessoas com algum tipo de deficiência em nossa cidade.

O problema da acessibilidade é ético e social. Ele fere os direitos desse grupo de pessoas porque desrespeita o que a lei determina, além de atingir a qualidade de vida de todas elas. Infelizmente, esse olhar específico ainda não foi incorporado pela cultura do “turismo acessível”, ressalva Nilzete:

- Quando uma cidade é acessível, o turismo aumenta consideravelmente por não existirem tantas cidades já acessibilizadas. Então, naquelas que têm a sensibilidade de criar acessibilidade, o que vai acontecer? As pessoas vão tomar conhecimento disso e virão para nossa Cabo Frio conhecer suas belezas, ter o seu lazer, tirar férias, passar fins de semanas. Isso só vai trazer benefício para a cidade. Com o “turismo acessível” e a adaptação das lojas, hotéis, pousadas, restaurantes e demais comércios, todos vão lucrar e nós, deficientes, vamos ficar agradecidos e felizes por darem esta oportunidade de entrarmos em cada estabelecimento. Sempre que tenho oportunidade, toco neste assunto nos eventos do projeto social “Nós Podemos Cabo Frio” para que a sociedade tome consciência de que existimos e queremos os mesmos direitos de ir e vir!

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