quinta-feira, 1 de março de 2018

A INTERVENÇAO FEDERAL



O ditado popular “tudo como Dantes no quartel de Abrantes” que surgiu no início do século 19, com a invasão de Napoleão Bonaparte à Península Ibérica, nunca esteve tão em evidência. Conta a história que o Invasor encontrou o país praticamente sem governo, já que o Príncipe Dom João VI e toda a corte portuguesa haviam fugido para o Brasil. Porém a forma omissa que o General “interventor” nomeado por Napoleão adotou para governar sem implementar mudanças, levou a criação desta fase emblemática.

E é esta a impressão que fica após a coletiva de Impressa concedida pelo Interventor Federal da segurança no Rio de janeiro, general do Exército Walter Souza Braga Netto com a apresentação de seu Gabinete de Intervenção. Porém, ao contrário do que todos esperavam não houve sequer a apresentação do tão anunciado plano de Segurança Pública para o Estado.

Seria cômico se não fosse trágico, o fato do Interventor levar mais de 10 dias para elaborar um simples Organograma, que poderia facilmente ser elaborado por qualquer subalterno em algumas horas, sem abordar as medidas que serão implementadas para a real redução dos índices de criminalidade.

É sabido que o governo estadual não tem condições de investir em reaparelhamento da segurança, tecnologia e ferramentas de inteligência, melhoria nas condições de serviço dos policiais, aumento do efetivo e treinamento, aguardando um apoio financeiro do Governo Federal que se omite deixando a responsabilidade cair sobre o nosso falido estado.

O mais grave é que o ponto alto da coletiva não se deu pelas poucas palavras e obscuridades no planejamento apresentadas pelo Interventor, mas sim pela misteriosa ausência do Comandante Geral da Policia Militar e do Chefe de Policia Civil no Estado do Rio de Janeiro, ausência esta que causa estranheza e apreensão por parte da sociedade organizada, levando a duas interpretações: ou os gestores da segurança pública no estado não concordam com a intervenção ou o Interventor não deu o devido valor aos Gestores da Polícia.

Qualquer que seja a interpretação, na prática, o resultado não será benéfico para a Segurança Pública do estado, pois tal ausência na acreditada e importante coletiva demonstra que o Interventor não conseguiu criar a sinergia entre as tropas federais e estaduais e se estabelecer como comandante de fato das operações a serem um dia implementadas. E sem sinergia, sem cadeia de comando e sem um plano eficaz de planejamento torna-se impossível a mudança.

E sem mudanças, daqui a alguns meses quando o Brasil e o mundo perguntar como esta a situação da criminalidade no Rio de Janeiro, caberá a nossa sofrida população responder: Tudo permanece como Dantes no Quartel de Abrantes!

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